Mênfis

 

Mênfis era a capital do antigo Reino do Egito. Memphis, na grafia do português antigo, era o nome adotado pelos gregos. Pouco restou dela para nossa apreciação. Lembranças de sua suntuosidade podem ainda ser conferidas com as Grandes Pirâmides e a Grande Esfinge. Os sítios arqueológicos da antiga Mênfis ficam espalhados em uma grande área da atual Província de Gizé, ao longo de cerca de 35 km, ao sul, da Cidade de Gizé e incluem as necrópoles de Sakara, Dahshur e outras.

Mênfis tinha posição estratégica, situada alguns quilômetros ao sul do vértice do Delta do Nilo, onde se situa a atual capital Cairo, mas na outra margem do Nilo, a esquerda. A Cidade de Mênfis, propriamente dita, ficava a cerca de 20 km a sul do Centro de Gizé, em torno do atual vilarejo de Mit Rahina, onde existe um museu dedicado a Mênfis.

De acordo com a tradição, Mênfis foi fundada por Menés, o primeiro Faraó do Egito unificado, cerca de 3150 aC.

Em 332 aC, Alexandre conquistou o Egito. Em Mênfis, ele prestou honras aos deuses egípcios. Aqui ele também foi sepultado em 321/320 aC, no Serapeu de Sakara. Alexandre morreu na Babilônia e queria que seu corpo fosse entregue ao deus Amon, no Egito. Mas Pérdicas, outro general de Alexandre, queria que ele fosse sepultado na Macedônia. Buscando cumprir o desejo de Alexandre, Ptolemeu roubou seu corpo e o trouxe para Mênfis. Isso provocou a ira de Pérdicas, que invadiu o Egito, mas foi assassinado antes de chegar em Mênfis, pelos seus próprios oficiais. O túmulo de Alexandre ficou em Mênfis, por alguns anos, depois foi levado para Alexandria.

Com o domínio árabe, no século 7, muitos monumentos de Mênfis foram pilhados e muitas pedras foram usadas para a construção de Al Fustat, a capital árabe, na margem direita do Nilo, na antiga Cidade do Cairo. Além disso, houve uma ruptura dos diques que protegiam Mênfis.

Os estudos arqueológicos na antiga Mênfis foram iniciados após a ocupação do Egito pelas tropas de Napoleão, em 1798. Escavações foram feitas a partir de 1820. Não sobrou muito do que existiu na magnífica Mênfis, além de ruínas e algumas peças expostas no Museu de Mênfis, no local, incluindo a gigantesca estátua de Ramsés II (ilustrações abaixo). Outras peças foram levadas, como uma segunda estátua de Ramsés II, atualmente no Cairo. Uma grande esfinge do antigo Templo de Ptah e outras peças foram levadas para um museu nos EUA, em 1913 (atualmente no Penn Museum’s Sphinx).

 

Antiga Menfis

 

Memphis

 

Impressão artística da antiga Mênfis feita pela Ubisoft Entertainment para o jogo de computador Assassin's Creed.

 

As Grandes Pirâmides eram uma necrópole da antiga Mênfis. Ao centro, a Grande Esfinge e a Pirâmide de Quéfren.

 

Giza mapa

 

Piramide Queops

 

Memphis

 

A Mênfis de Heródoto

O historiador grego Heródoto (c.484aC - c.430aC) esteve no Egito, por volta de 450 aC, e percorreu o Vale do Nilo até Elefantina. Era uma época de instabilidade política no Egito, dominado pelos persas. Muitos gregos lá estavam.

Em sua História (c. 420 aC), Heródoto contou que os sacerdotes de Mênfis lhe disseram ter sido Menés o primeiro Rei do Egito e quem mandou construir os diques de Mênfis. Antes, segundo os sacerdotes, o Nilo corria ao longo da montanha arenosa situada na costa da Líbia (nome dado, então, a grande parte da África). Menés, tendo ordenado a construção de um dique, de cerca de cem estádios, pouco acima de Mênfis, fez encher o braço do Nilo que se dirigia para o sul, pondo a seco o antigo leito do Rio. Um novo canal foi construído para retomar o curso do Rio. Os diques são (na época da visita de Heródoto) fortificados todos os anos, pois se rompessem poderiam inundar Mênfis, que foi construída no antigo leito do Rio. Menés mandou cavar, a oeste de Mênfis, um lago que se comunicava com o Rio, que passa a leste. Menés ergueu na Cidade um magnífico templo a Hefesto (Ptah dos egípcios).

Heródoto relatou uma versão para Helena de Troia, contada pelos sacerdotes egípcios. Nessa versão, Alexandre (Páris) teria raptado Helena de Esparta, esposa de Menelau, e a teria levado para o Egito, devido aos ventos contrários. O Faraó daquela época era chamado de Proteu, pelos gregos, segundo Heródoto, que relatou existir um local magnífico dedicado a esse governante, ao sul do templo de Hefesto [Nota: Proteu também era um deus na Mitologia Grega e alguns autores acreditam que poderia tem relação com o mesmo Proteu referido por Heródoto. Não há consenso sobre qual seja o faraó histórico correspondente]. Após saber do crime, Proteu mandou trazê-los para Mênfis, deixou Alexandre partir, mas Helena e os tesouros de Esparta ficaram em Mênfis para serem devolvidos. Segundo os sacerdotes, os troianos informaram aos gregos que Helena estaria no Egito, os gregos não acreditaram e invadiram Troia. Não a encontrando lá, Menelau foi até Mênfis e recebeu de Proteu seus tesouros e Helena. Ainda irado, Menelau sacrificou duas crianças egípcias e, por isso, os egípcios o perseguiram e Menelau fugiu para a Líbia.

Heródoto era da opinião de que Helena estaria no Egito e não em Troia. Ele supôs que o templo consagrado a Vênus Estrangeira, em Mênfis, seria devido a Helena.

Os sacerdotes disseram que Proteu foi sucedido por  Rampsinito, o qual acumulou imensas riquezas, jamais igualada por seus sucessores. O novo Faraó mandou construir o vestíbulo do templo de Hefesto, situado a ocidente, e erguer duas estátuas de vinte e cinco côvados de altura (cerca de 15 m), chamadas de Verão e Inverno.

Quéops, segundo os sacerdotes informaram a Heródoto, sucedeu Rampsinito e praticou todo tipo de maldade [Nota: na verdade, Quéops reinou em época mais de mil anos antes da Guerra de Tróia]. Quéops mandou fechar os templos e pôs todos a trabalhar para ele. Grande número de egípcios foi empregado para trazer pedras da Arábia, arrastar até o Nilo e transportá-las até a Montanha da Líbia [na região de Mênfis]. Utilizavam-se, de três em três meses, cem mil pessoas nesse trabalho. Consumiram-se dez anos na construção da calçada por onde deviam ser arrastadas as pedras. Nota Heródoto: Na minha opinião, essa calçada é uma obra não menos considerável que a Pirâmide, pois mede cinco estádios de comprimento por dez braças de largura e oito de altura nos pontos mais elevados. É feita de pedras polidas e ornadas de figuras de animais.

A Pirâmide, em si, consumiu 20 anos de trabalho. Heródoto continuou a dar informações sobre o processo de construção da Pirâmide de Quéops, parte dessas informações foram registradas na própria Pirâmide. Heródoto adicionou que o Faraó prostituiu a própria filha para ajudar a pagar as despesas (não há registros oficiais do fato). Ela também teria pedido uma pedra a cada um que fosse visitá-la. Com essas pedras construiu-se uma outra pirâmide, com um pletro e meio de cada lado, perto da de Quéops.

Em sua História, Heródoto seguiu com histórias sobre Quéfren, Miquerinos e suas pirâmides, além de outras histórias.

 

Turistas visitam o sítio histórico da antiga cidade de Mênfis, perto de Al Badrasheen. Vê-se a Esfinge de Alabastro do Faraó Tutmósis III, que reinou entre 1479 e 1426 aC.

 

A colossal estátua de Ramsés II, deitada de costas, após as primeiras escavações em Mênfis. Ilustração publicada na obra do egiptologista alemão Karl Richard Lepsius, após sua visita ao local nos anos 1840. Embaixo, a cabeça da mesma estátua, parcialmente restaurada, no Museu de Mênfis. A estátua tem 13 metros e pesa 120 toneladas.

 

 

 

Alexandria Ptolomeu

 

Piramide Quefren

 

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Por Jonildo Bacelar